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População mais educada é mais empreendedora

A avaliação é da presidente-executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz.

Assim como a sociedade civil cobrou o fim da inflação, no final dos anos 80, e mais recentemente o combate à corrupção, a terceira onda de cobrança será exigir uma educação pública de qualidade.

A avaliação é da presidente-executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz. Para ela, é difícil articular as forças políticas para projetos de educação de longo prazo e, por isso, eles acabam sendo adiados. Priscila lembra que alguns países, como Portugal, conseguiram melhorar drasticamente o desempenho de seus alunos em apenas 15 anos.

“Ao longo dos anos, a sociedade passou a não tolerar mais inflação alta. Depois, foi assim com a corrupção. A terceira onda será cobrar educação pública de qualidade. Precisamos combater esse mito de que vai demorar tanto assim para mudar. Portugal melhorou o desempenho de seus alunos em 15 anos. A Rússia teve um crescimento incrível de qualidade e o Chile colocou a educação como prioridade e se tornou o melhor país da América Latina nesse capítulo”, analisa Priscila, que participou do evento E Agora, Brasil?, promovido pelos jornais “O Globo” e Valor em São Paulo, no dia 26 de setembro.

O economista Eric Hanushek, da Universidade Stanford, também presente ao evento, observa que existem discussões de curto prazo no Brasil, como a questão fiscal e a situação política, que não podem se sobrepor aos projetos de longo prazo, especialmente os de educação.

Para ele, é preciso foco na melhoria da qualidade das escolas e dos professores para que os efeitos positivos dessas mudanças se reflitam no crescimento econômico, tese que defende em suas pesquisas.

 “A Coreia do Sul, há quarenta anos, sofria com uma taxa de conclusão escolar limitada. Tornou a educação uma prioridade e hoje possui um dos melhores sistemas educacionais do mundo. E a economia também mostra resultados”, afirma Hanushek.

O economista avalia que uma força de trabalho mais qualificada é sempre mais produtiva e que uma população mais educada é também mais empreendedora. Hanushek afirma que caso os alunos brasileiros hoje matriculados nas escolas do país adquirissem as habilidades consideradas básicas pela OCDE, os benefícios econômicos desse avanço seriam surpreendentes: o PIB brasileiro poderia crescer ao ritmo de 10% ao ano.

O editor-executivo do Valor, Cristiano Romero, observou que, mesmo gastando 6% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação, proporção maior do que a média dos países da OCDE, e tendo recursos vinculados – ou seja, o dinheiro a ser gasto com educação está garantido no orçamento – o país não consegue melhorar a qualidade da educação oferecida. “O país tem problemas em definir com prioridades”, afirma Romero.

Para o professor e matemático Francisco Soares, ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), enquanto existem municípios brasileiros que estão em situação razoável em relação à educação pública, outros não oferecem as condições mínimas adequadas. Por isso, para ele, o Brasil não pode ser analisado na média. Ele defende uma mudança na gestão das escolas, mas também mais recursos para o setor.

“O Brasil precisa de mais dinheiro e melhor gestão. Não vamos virar a Finlândia, uma referência no capítulo da educação, mas precisamos investir onde se faça a diferença. Por exemplo, quais são os objetivos de aprendizagem? O Brasil precisa ter um acordo sobre o que a criança precisa aprender”, avalia.

Para Priscila Cruz, o país já tem referências de qualidade como os Estados do Espírito Santos, Ceará, Goiás e Pernambuco e precisa replicar esses modelos. “Precisamos quebrar as resistências de quem não quer mudar”, afirma Priscila.

Revista Valor

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