”Viagra feminino” promete revolucionar a vida sexual das mulheres

viagra feminino

A agência que regulamenta alimentos e medicamentos nos Estados Unidos, a Food and Drugs Administration (FDA), aprovou a droga flibanserin (nome comercial Addyi), que tem o objetivo de tratar o transtorno de desejo sexual hipoativo em mulheres (TDSH). O remédio é conhecido como “viagra feminino”. Esta é a primeira pílula no mercado destinada a aumentar a libido de mulheres na pré-menopausa que sofrem de falta de desejo sexual.

Em junho deste ano, uma equipe de especialistas da área pediu ao FDA que aprovasse o medicamento, ainda que exclusivamente sob prescrição médica e com medidas adicionais para o controle dos riscos.

O medicamento é um agente não-hormonal, que atua nos neurotransmissores do cérebro para tratar a perda do interesse sexual. Mas a droga pode produzir efeitos colaterais importantes, como náuseas, sonolência, queda da pressão arterial e desmaios.

Segundo documentos disponíveis no site do FDA sobre um teste clínico, as mulheres que fizeram uso do flibanserin disseram ter tido, em média, 4,4 experiências sexuais satisfatórias em um mês contra 3,7 no grupo que consumiu placebo e 2,7 antes de iniciado o estudo.

“A aprovação de hoje oferece às mulheres afetadas por seu baixo desejo sexual uma opção de tratamento aprovada”, declarou Janet Woodcock, diretora do Centro de Avaliação e Pesquisa dobre drogas do FDA, em nota divulgada pela agência.

flibanserin-viagra feminino

PERGUNTAS E RESPOSTAS 

1 – Para quem é indicado?

Às mulheres na pré-menopausa que sofrem de uma condição específica conhecida como “distúrbio de desejo sexual hipoativo generalizado adquirido (HSDD na sigla em inglês)”, que provoca a perda súbita e severa da libido.

O HSDD “adquirido” se refere à falta de desejo sexual em uma mulher que não tinha problema com isso antes e o “generalizado” à falta de desejo sexual independentemente do tipo de estímulo, da situação e do parceiro. Além disso, o HSDD não está associado a coexistência de uma condição médica ou psiquiátrica, a problemas de dentro da relação ou a efeitos de medicação ou outras drogas.

2 – Como age?

O flibanserin é um agente não-hormonal, que atua nos neurotransmissores do cérebro para tratar a perda do interesse sexual. De acordo com a FDA, o Addyi contém um agonista (substância capaz de se unir a um receptor celular) e um antagonista de serotonina, neurotransmissor associado ao prazer e bem-estar. Mas o mecanismo pelo qual melhora o desejo sexual não é conhecido.

3 – Funciona igual ao Viagra?

Apesar do apelido de “Viagra” feminino, o flibanserin não tem ação similar. O Viagra é indicado para tratar a disfunção erétil em homens, já que estimula a circulação sanguínea no pênis e ajuda na ereção. Ele tem efeito horas após o consumo. Já o Addyi age no sistema nervoso e deve ser tomado continuamente uma vez ao dia – pela noite – e o resultado pode demorar algumas semanas.

4 – Há efeitos colaterais?

Sim, as reações mais comuns entre os pacientes testados foram tontura, sonolência, náusea, fadiga, insônia e secura na boca. Também pode causar queda severa da pressão arterial e desmaios. O uso de contraceptivos hormonais e álcool pode agravá-los.

5 – Há contraindicações?

Não é indicado para tratar HSDD em homens ou em mulheres que passaram pela menopausa, nem é recomendado para melhorar a performance sexual. Também não pode ser consumido com álcool, com inibidores da enzima CYP3A4 ou por mulheres com insuficiência hepática.

6 – Qual é sua eficácia?

Segundo documentos disponíveis no site do FDA sobre um teste clínico, as mulheres que fizeram uso do flibanserin disseram ter tido, em média, 4,4 experiências sexuais satisfatórias em um mês contra 3,7 no grupo que consumiu placebo e 2,7 antes de iniciado o estudo.

7 – Quando começam as vendas?

O grupo Sprout Pharmaceuticals, fabricante do Addyi, espera começar a vendê-lo nos Estados Unidos no dia 17 de outubro. O medicamento será vendido apenas em farmácias credenciadas e com prescrição de médicos certificados pelo fabricante. O preço não foi divulgado.

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Para a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex), ligado à USP (Universidade de São Paulo), o lançamento da droga no mercado é muito positivo e abre uma nova era no tratamento da falta de libido. “A chegada de um remédio específico para a disfunção sexual feminina abre uma nova era no tratamento, é mais um recurso para os médicos tratarem o problema”, explica. Entretanto, a prescrição do medicamento vai exigir uma maior capacidade dos médicos em distinguir o que causa o problema, já que vários fatores contribuem para a falta de desejo, como depressão e problemas conjugais.

Abdo ressaltou que para a mulher que tem um bom relacionamento com o parceiro, não está deprimida ou estressada e não sofre de alguma doença que possa interferir na libido, o medicamento chega em boa hora. “Até agora, não existia uma opção terapêutica específica para essas mulheres. A flibanserina chega com esse papel”, afirmou.

“É preciso cautela”

Mas nem todos os médicos veem a chegada do “Viagra Feminino” ao mercado como positiva. “Ainda há muitas ressalvas em relação ao produto, é preciso cautela. Na prática, não é uma droga que vai resolver o problema da sexualidade feminina. Não existe uma pílula da felicidade. Ainda é muito cedo para avaliar os benefícios, inclusive porque ela é uma droga que tem vários efeitos colaterais”, ponderou o ginecologista Neucenir Gallani, diretor da Clínica Symco, em Campinas. Entre os efeitos colaterais estão náuseas, sonolência, queda da pressão arterial e desmaios.

O medicamento, na verdade, foi desenvolvido para ser um antidepressivo. A substância age nos neurotransmissores dopamina, noradrenalina e serotonina. Durante os primeiros ensaios clínicos, foi detectado um efeito colateral interessante:  a melhora na libido – o que fez a indústria farmacêutica redirecionar o desenvolvimento do produto. Mais ou menos o que aconteceu com o Viagra, inicialmente criado para problemas cardíacos.

Mas a semelhança com a pílula azul dos homens termina aí. “Enquanto o Viagra só funciona para os homens com desejo sexual em dia, agindo na excitação, a flibanserina age provocando e melhorando o desejo da mulher, o que antecede a excitação.

Bom saber, não é?

Beijos!

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