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48% dos homens jovens brasileiros condenam mulheres ao sair sem namorado ou marido

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Pesquisa divulgada pelo Instituto Avon e o Data Popular, em dezembro de 2014, mostra que 48% dos jovens entrevistados acham errado que uma mulher saia sozinha. O levantamento revela ainda que 80% deles acreditam que mulheres não devem ficar bêbadas em festas ou baladas. Fazer sexo no primeiro encontro é uma atitude errada para 68% dos entrevistados.

“No entanto, quando a questão lista os comportamentos agressivos, os números aumentam significativamete: 66% das mulheres admitem terem passado por algum deles e 55% dos homem afirmam ter praticado”, relata a nota sobre a pesquisa.

O controle dos homens nos relacionamentos também revela percentuais alarmantes: 53% das mulheres já tiveram o celular vasculhado, 35% já foram xingadas pelo parceiro e 33% impedidas de usar alguma roupa.

A pesquisa faz parte de uma ação da Avon, chamada Fale sem Medo – não à violência doméstica.

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37% das jovens que responderam à pesquisa também afirmam ter tido relação sexual sem preservativo por insistência do parceiro, o que ajuda a explicar o crescimento da contaminação pelo HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis entre jovens.

O fim da relação também é um momento crítico para as mulheres jovens. 51% já sofreram ameaças, foram seguidas pelo ex, ou este ficou enviando mensagens ou ainda espalhando boatos sobre a mulher. Quase metade das entrevistas declararam que tiveram que tomar alguma atitude para cortar contato com o ex, incluindo deixar de frequentar lugares onde iam regularmente, mudar o número do celular, parar de usar redes sociais e até mesmo mudar de telefone residencial ou endereço ou local de trabalho. Apenas 2% declaram ter registrado boletim de ocorrência.

A web como espaço para relacionamento, sexo e pornografia de vingança

pesquisaAVON-percepcao violencia com estimuloA internet é vista pelos jovens como um espaço privilegiado para o desenvolvimento de relacionamentos, inclusive experiências sexuais. Mais de 40% dos entrevistados já se relacionaram afetivamente com alguém que conheceu via web, e muitos já praticaram sexo virtual. Mas além de ser um espaço de aproximação, o ambiente virtual pode facilmente se converter em ferramenta para chantagens, ameaça ou invasão da privacidade com intenção de humilhar a vítima, especialmente contra as mulheres jovens. Os dados do levantamento evidenciam o quanto essa prática tem se disseminado entre jovens. 28% dos homens ouvidos no estudo afirmam ter repassado imagens de mulheres nuas aparentemente produzidas sem autorização que receberam pelo celular, sejam elas fotos ou vídeos.

Integridade das mulheres segue ameaçada no espaço público

Passados mais de um século da luta pela emancipação das mulheres, o direito das mulheres ao espaço público continua sendo fortemente violado. 78% das entrevistadas já sofreram algum tipo de assédio nas ruas das cidades, em festas ou no transporte coletivo. Em 68% dos casos, as jovens declararam já ter recebido uma cantada que consideraram ofensiva, violenta ou desrespeitosa e 44% foram assediadas ou tiveram o corpo tocado em uma festa ou balada. Por seu lado, 24% dos homens admitem já terem feito cantadas que podem ser consideradas ofensivas, assediado mulheres em festas ou no transporte público, terem se aproveitado do fato de uma mulher estar alcoolizada para abordá-la ou tentar fazer fotos ou vídeos sem autorização.

Reprodução do ciclo da violência

Conforme já verificado em diversos estudos, a violência doméstica tem como um de seus efeitos a perpetuação de uma cultura de agressividade. De acordo com a pesquisa, 43% dos jovens presenciaram a mãe ser agredida por um parceiro masculino. E entre os que admitem ter praticado alguma forma de violência contra parceiras, 64% estavam no grupo de quem assistiu cenas violência doméstica em casa. Já entre os que nunca presenciaram tais práticas, 47% admitem ter praticado ações agressivas.

Uma juventude com valores conservadores

Embora 96% dos jovens aprovem a Lei Maria da Penha e percebam a existência do machismo no país, muitos parecem não se dar conta que reproduzem práticas sexistas e conservadoras. 68% consideram incorreto que uma mulher tenha relações sexuais no primeiro encontro e 48% avaliam que é errado a mulher sair com amigos, não importando o sexo, sem o namorado, marido ou ficante sério. Para 51% dos entrevistados a mulher deve ter a primeira relação sexual com um namorado sério e 48% e 38% avaliam que se a mulher tem relações sexuais com muitos homens não serve para namorar. Em relação ao vestuário feminino os dados se aproximam do que foi verificado na pesquisa divulgada pelo IPEA no ano passado: 1 em cada 4 jovens que participaram da pesquisa concordam que mulheres que usam decote e saia curta estão se oferecendo aos homens.

Todas as ações citadas na pesquisa são passíveis de enquadramento na Lei 11.340/2006. Para a secretária de enfrentamento à violência contra a mulher da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Aparecida Gonçalves, os dados “são muito importantes porque dão visibilidade a uma violência que acontece nas redes sociais por meio virtual. E se a violência doméstica contra a mulher, pelo fato de ocorrer na maioria das vezes entre quatro paredes, já é muito invisibilizada, essas práticas no meio virtual são ainda mais. A pesquisa também traz um novo elemento para a discussão, principalmente nos serviços especializados, sobre a importância de como proceder à investigação desses crimes, para que efetivamente sejam enquadrados na Lei Maria da Penha. Precisamos qualificar a discussão sobre os crimes na internet na formulação das políticas públicas, nas delegacias, no Ministério Público, no Judiciário e em todos os órgãos que discutem e atuam contra a violência doméstica, para garantir a investigação e a punição”.

A pesquisa

O levantamento foi realizado pelo Instituto Data Popular em parceria com o Instituto Avon por meio de plataforma online de autopreenchimento, entre os dias 8 e 13 de novembro. 2046 jovens de 16 a 24 anos responderam ao questionário. A amostra é nacional, contemplando as cinco regiões do país, e a margem de erro é de dois pontos percentuais.

Instituto Avon

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